terça-feira, 17 de julho de 2012

6. Eduarda


Cuidar da minha filha tornou-se a minha principal preocupação. Passava o tempo todo com ela ao colo: dava-lhe o biberão e brincava com ela. Era uma bebé muito amorosa e dorminhoca!
Apesar de tudo isto eu não podia adiar mais o inevitável. Tinha que contar ao Eduardo que tinha uma filha, não podia continuar a esconder.


Depois de muita hesitação decidi ligar ao Eduardo.
- Estou sim? – Ouvi do outro lado. Ao ouvir aquela voz tremi.
- Eduardo? É a Catarina. Desculpa estar a ligar, mas tenho urgência em falar contigo. Podes passar por minha casa, por favor?
Houve um tempo de silêncio.
- Sim…sim, não tem problema. Eu vou aí ainda hoje. – respondeu ele por fim.
- Obrigada. 



Já era noite quando tocaram á campainha. Do outro lado da porta consegui ver que era ele. Estava tão nervosa! Não conseguia parar de tremer…
Ganhei coragem, ergui a cabeça e abri a porta.




Durante uns instantes, que me pareceram uma eternidade, ficamos em silêncio a olhar um para o outro. Tanta coisa precisava de ser dita mas nenhum de nós conseguia falar. Ele estava tão diferente, tão mudado. Tinha até um olhar frio e distante. Já não era aquele Eduardo com bom sentido de humor que eu conheci.
O Silêncio foi quebrado por mim.

- Eduardo, quero que saibas que pensei muito antes de te ligar. Preciso muito de falar contigo. Entra e senta-te para ficarmos mais á vontade.
Ele entrou, e eu olhei em volta. O medo que o pai dele descobrisse era muito.
- Catarina, diz-me la….porque é que tinhas tanta urgência em falar comigo? Passa-se alguma coisa? Precisas de alguma coisa?
- Não…-não sabia como começar.
- Fala, não tenhas medo.
Nessa altura não tive. O medo desapareceu. Ele estava aqui, estava na hora de saber a verdade.



- Eduardo, preciso que me ouças até ao fim, sem interromper.
- Esta bem! – Prometeu.
- Passado uns meses de nos termos separado, descobri que…descobri…que estava grávida. Fiquei tão baralhada, sem saber o que fazer….mas fui até tua casa para te contar. Quando lá cheguei estavas a casar com a Holly. Fiquei tão magoada que não tive coragem e voltei para casa. Uns dias depois o teu pai veio a minha casa e viu que estava grávida. Disse-me que não queria que a tua vida fosse estragada por um erro e ameaçou-me. Disse que se tu algum dia soubesses a verdade mataria a criança. É claro que fiquei com medo, não podia deixar que nada acontecesse com o meu bebé. Pensei até em sair da cidade e nunca mais voltar pois o meu medo crescia dia para dia. Depois de muito pensar, decidi que tu merecias saber a verdade e que o bebé merecia ter um pai. A gravidez passou e tive uma menina linda. Quando olhei para ela, revi todos os nossos bons momentos, por isso decidi chamar-lhe Eduarda. (Eduardo ouvi a historia emocionado. Quando eu lhe disse o nome da nossa filha ele não aguentou e começou a chorar.) Tenho adiado este momento desde o dia que ela nasceu, mas não era justo nem para ti nem para ela. Foi por isso que te liguei, para te contar que tens uma filha.
Eduardo levantou-se, limpou as lagrimas, olhou para mim com os olhos a brilhar e disse:
- Quer dizer que eu sou pai?
- Sim…
- Posso…posso conhece-la? – perguntou a medo.
- Claro que sim! – agora era a minha vez de chorar.

Pedi a Eduardo para me seguir até ao quarto da bebé e segurei-a no meu colo.
- Apresento-te a tua filha, a Eduarda!- disse eu sem conseguir conter a emoção. 



Eduardo olhava para ela completamente babado. Pegou nela e apertou-a contra o peito.
- É linda! – diz ele.
- É mesmo! Eduardo, desculpa….desculpa ter escondido isto de ti durante tanto tempo. Mas tenho tanto medo….devias ver como o teu pai falou.


- Ainda não acredito que ele fez isso!
Sabes, desde que casei com a Holly a minha vida é horrível. Ela é muito fútil, vive para o dinheiro. O meu pai arranjou-me trabalho do ramo do mal. Nada é o que eu esperava….
Parece que este pequeno milagre é a única coisa que eu fiz de bem na minha vida!
- Não achas que está na altura de mudar isso? – a minha esperança crescia.
- Sim….sim está! Eu vou para casa, vou contar ao meu pai, vou pedir o divórcio a Holly.
Catarina, desculpa por te ter feito passar por isto tudo! Nem imagino o que sofreste!
Achas que ainda estou a tempo de recuperar aquilo que perdi?
- Não sei…não me perguntes isso…não tão cedo! Só o tempo dirá se te consigo perdoar.
- Está bem. Eu mereço isso. Vou agora a casa falar com o meu pai e com a Holly. Depois volto para te contar como foi.


Pegou na nossa filha e levantou-a no ar.
- Até logo minha pequenina!
E foi embora.
O mais difícil está feito. Agora tenho que esperar pelas consequências do que fiz….



Pouco antes da hora do jantar do dia seguinte a minha campainha toca, Eduardo estava de volta. A minha ansiedade cresceu…o que teria acontecido.
- Olá Catarina. Desculpa só vir a esta hora. Só consegui sair agora daquela casa…
- E então, o que aconteceu? Como é que o teu pai reagiu?
- Estou divorciado, sem casa, sem emprego e sem dinheiro. A Holly insultou-me e o meu pai expulsou-me. Não tenho nada….apenas a roupa que tenho vestida.
- Meu deus! O teu pai foi capaz de fazer isso?
- É, parece que sim….bom, se queres que te conte tudo é melhor te sentares.
Eduardo contou-me toda a sua conversa com Holly e com o Sr. Vieira. Pelos vistos acusou o pai de lhe ter escondido a existência da pequena Eduarda. O pai disse-lhe que ele era um falhado e não acreditava que ele ia desistir do casamento e da vida que tinha por uma bastarda por isso despediu-o e expulsou-o. Holly apoiou-o, como é óbvio!
Fiquei com tanta raiva daquele homem, nem imaginam!
- Depois de tudo isto não sei o que fazer da minha vida…não tenho nada…devia ter seguido os meus sonhos enquanto podia. Agora é tarde…
- Depois de tudo o que fizeste hoje não digas que é tarde! Hoje deste um grande passo na tua vida Eduardo, deixaste o teu pai, a tua prisão…agora podes começar a viver.
- E vou ficar onde? Na rua? Pelo menos até ter algum dinheiro para alugar um quarto….
- Achas mesmo que eu te ia deixar ficar na rua? Posso não ter muito mas o meu sofá está á tua disposição. Arranjas emprego, organizas a tua vidinha e depois podes procurar uma casa ou um quarto para viver.



- Deixas – me mesmo ficar aqui? Oh Catarina, muito obrigada! Nem sei como te agradecer!
- Segue o teu coração! É só isso que te peço!


Era o dia do meu aniversário por isso, em vez de cozinhar, fizemos um piquenique lá no jardim, só os dois. 


Estivemos a conversar um pouco e depois, eu fui arrumar e ele foi cuidar da nossa filha. Já era tarde quando cada um se foi deitar. 


De manha bem cedo comprei, numa loja online umas roupas para o Eduardo. Depois de tomar o pequeno-almoço ele foi ao teatro para pedir emprego. Finalmente ganhou coragem para realizar o seu sonho de ser estrela de rock, mas ainda tinha muito que trabalhar para la chegar. O meu dia correr normalmente. Limpei a casa e tratei da minha pequena. Tinha tanto trabalho que tive de deixar o meu livro de parte.


Victoria veio a minha casa contar-me as boas novas: estava gravida! Fiquei tão feliz pela minha amiga! 


Quando voltou, Eduardo não trouxe só um emprego mas também 2 grandes surpresas. Vendeu a única coisa que conseguiu trazer da sua antiga vida: o carro. Com a venda do carro ficou com bastante dinheiro por isso comprou um mais barato para ele e um para mim. Nem queria acreditar quando ele chegou a casa com os dois carros. Disse-me também que tinha ficado com dinheiro suficiente para fazer um pequeno parque para Eduarda brincar quando crescer e ainda sobrava dinheiro (Não sabia que a venda de um carro dava para tanta coisa!) E mais: contratou uma empregada para fazer a limpeza lá em casa para eu ter mais tempo para o meu livro! Fiquei tão feliz que o abracei sem pensar. 


 O nosso dia-a-dia decorria da melhor forma. A vida com Eduardo perto era muito mais fácil. Ele trabalhava e ajudava-me tanto que eu tive pena de o ver dormir no sofá, por isso deixei-o dormir na minha cama mas o mais separado possível. Eu ainda não o tinha perdoado, mas cá para nós, ele está no bom caminho para o perdão!;)



Chegou o dia do 1º aniversário da Eduarda. Resolvemos fazer uma pequena festa para os amigos mais chegados. 


Eduardo foi comprar o bolo de aniversário e eu pus música para animar a festa. Victoria foi a primeira a chegar. Ela precisava de sair um bocadinho. Teve uma gravidez muito atribulada e desde que a pequena Carminda nasceu ela não tinha tempo para ela. A festa da sua querida afilhada foi a desculpa para ela deixar o marido a tomar conta das filha e sair para se divertir um bocadinho.


 A festa foi um sucesso, toda a gente se divertiu. E a minha pequena conheceu, finalmente, a sua tia! Depois de soprar as velas a minha pequenina cresceu para bebé. Era igualzinha ao pai: tinha o mesmo cabelo, os mesmos olhos. Era linda! Claro que Eduardo ficou completamente babado por a nossa filha ser uma mini - fotocópia dele!


Estávamos tão felizes que o meu medo em relação á ameaça feita pelo pai do Eduardo ficou esquecido!
Como tudo o que é bom sempre acaba, esta fase feliz da minha vida estava mesmo a terminar. 


Quando todos os convidados foram embora, arrumamos tudo e eu fui adormecer a minha filhinha. Antes de ela adormecer, olhei para ela e vi como ela se tinha tornado numa menina linda. Eu tinha tanta sorte! Tinha tomado a decisão certa.
Finalmente fui-me deitar. Estava tão cansada! Eduardo já dormia e eu não tardei em adormecer. 


Era perto das 2 horas da manhã quando o pai de Eduardo apareceu á minha porta. Arrombou a porta e entrou sem fazer o mínimo de barulho. Certificou-se que estávamos os dois a dormir e dirigiu-se ao quarto onde a minha filha dormia profundamente. Acordou-a, pegou nela, saiu de casa, ed desapareceu na escuridão com a minha filha ao colo, sem sequer olhar para trás….



















































domingo, 15 de julho de 2012

5. A Gravidez


Depois daquela terrível conversa com o pai do Eduardo fiquei sem saber o que fazer da minha vida. A minha barriga estava a crescer, a gravidez a passar e eu continuava desesperada!
A verdade é que eu sempre sonhei ser mãe. Acho que é um sentimento único, é uma ligação espantosa entre mãe e filho/a. Mas nunca, nunca imaginei ser mãe numa situação destas.


Liguei para Victória. Precisava tanto de conversar, de desabafar. Ela era a pessoa ideal, uma amiga para todas as horas.
Chegou a minha casa pouco tempo depois do meu telefonema.
- Catarina, vim para aqui o mais depressa que consegui! O que se passa?
- Entra amiga, preciso de te contar uma coisa.
Contei a Victoria a minha “conversa” com o Sr. Vieira. Pela primeira vez vi uma expressão de ódio na cara da minha amiga.
- Mas quem é que esse homem pensa que é para dizer tal coisa? Se fosse comigo sabes o que é que eu fazia? Ia directamente á casa do Eduardo e contava-lhe toda a verdade em frente ao pai. E mais: exigia dinheiro todos os meses para dares ao teu filho tudo o que ele precisar.
- Eu sou bem capaz de dar ao meu filho tudo o que ele precisar! Não preciso do dinheiro daquela família. – disse eu revoltada.
Mas se tu ouvisses a maneira como ele falou….ele falou mesmo asserio. Não era a brincar. Tenho tanto medo que ele faça algum mal ao meu bebé. Acho que se alguma coisa lhe acontecesse eu não ia aguentar.
- Então o que estás a pensar fazer? Esconder a criança o resto da vida? Deixar que cresça sem um pai?
- Não, claro que não! Mas…ai, nem sei o que fazer! Estou desesperada amiga….


- Catarina, segue o teu coração! É só isso que te posso dizer. Vais ter um bebé lindo, agarra-te a ele!
- Obrigada Victoria, é isso que vou fazer. O resto virá com o tempo. 


A minha gravidez correu normalmente. Se não fosse o medo de sair de casa esta seria a fase mais feliz da minha vida. Para eu não ficar sozinha, Victoria passou lá uns tempos. Apesar de me conseguir distrair um pouco com ela e até me divertir, havia outras alturas em que o desespero voltava. Quando o bebé nascesse ia ter que contar a Eduardo. Não havia outra hipótese! Não podia deixar o meu bebé sem pai. 


A data de nascimento do bebé aproximava-se! Um dia, os meus colegas de trabalho decidiram fazer uma pequena “festa do bebé”. Todos trouxeram presentes e boa disposição! 


Antes de irem embora, todos quiseram sentir a minha barriga, foi um momento muito emocionante. Diverti-me como já há muito tempo não me divertia! J

Com todos os presentes comecei a construir o quarto do bebé. Para isso tive que aumentar a minha casa. Como o meu trabalho estava a correr bem e eu já tinha algum dinheiro junto, caprichei no quarto. Quando terminei o meu trabalho, olhei em volta, vi como estava lindo e fiquei ansiosa que o bebé nascesse. Ia-me dar força para continuar em frente!


Eis que chega o tão aguardado momento!
Num dia como todos os outros, estava a preparar-me para ir dormir. Quando me levanto do sofá sinto uma dor muito forte. Victoria, que já estava a dormir, acordou com os meus gritos. Veio a correr para a sala!
- Estás bem Catarina?
- As contrações começaram! É agora Victoria, o meu bebé vai nascer!
- Então vamos rápido para o hospital, eu levo-te!
- NÃO! Ele pode saber! O pai do Eduardo pode saber e tirar-me o meu bebé! Não posso sair de casa, não posso! Não o consigo perder!
- Está bem Catarina, tem calma! Eu ajudo-te. Juntas, conseguimos!


Depois de horas a sofrer senti o meu bebé a vir ao mundo. De repente todas as dores desapareceram e a minha única preocupação era conhecer aquele criança que cresceu dentro de mim! 
Nasceu menina saudável! Meu Deus, como ela era linda! 
Naquele momento, enquanto olhava para ela toda a minha dor para com o Eduardo desapareceu. Já não me lembrava que ele me tinha trocado por outra mulher só por esta ser rica nem que o ele não conseguia enfrentar o pai. Só conseguia pensar no amor que gerou esta criança. 
Assim, tive a certeza do nome que ia pôr à minha filha:


 Eduarda!




























quinta-feira, 12 de julho de 2012

4. Encontrei-te!




Enquanto a minha nova casa não estava pronta, fiquei uns tempos na casa de Victória. Ela tinha um quartinho vago e disponibilizou-se para me acolher. Foi fantástico, divertimo-nos imenso! Parecia que tínhamos voltado á adolescência!
Mas quando a minha pequena casinha já tinha as coisas necessárias para eu viver lá, voltei! 


Para ser uma boa jornalista é necessário saber escrever bem. E para tal temos que treinar ao máximo. Visto que a única maneira Sims de treinar a escrita é no computador e eu ainda não tenho um em casa, decidi aproveitar os recursos da Vila!


O único sitio da cidade que nos disponibilizava computador era num salão, lá no alto, na zona rica e, curiosamente, em frente á casa do Eduardo!  



Todos os dias depois do trabalho e até nas minhas folgas passei a ir para esse salão trabalhar. Para minha infelicidade, de todas as vezes que ia ao salão, nunca me cruzava com o Eduardo. Comecei a escrever um livro para vender e aproveitei todas as oportunidades de trabalho na esperança de ter um dinheirito extra. Uma vez fui assaltada, mas a policia chegou a tempo e, um dia, á saída do supermercado assisti á morte de um senhor. Foi tão triste!
De resto, os meus dias decorriam normalmente, esforçava-me ao máximo no meu emprego e, como é óbvio, era recompensada bastantes vezes!


 Quando menos esperava, encontro-me com ele á saída do salão. Quando olhei de novo para aqueles olhos lindos fiquei sem fala por isso, foi ele o primeiro a falar:
- Catarina, finalmente encontrei-te! – disse ele com um sorriso de orelha a orelha.
Fiquei completamente surpresa com o que ele disse! Isso queria dizer que ele andava á minha procura?
- Como assim? – perguntei eu na esperança que ele se explicasse melhor.


- Desde aquela nossa tarde no parque vou lá todos os dias á mesma hora na esperança de te encontrar, mas nunca mais te vi por lá. Não te podia ligar porque não tenho o teu contacto e nem sei onde moras.


O meu coração batia a mil com tais palavras….
- Ah ah ah…desculpa. Ultimamente ando muito atarefada com o trabalho – disse eu, na tentativa patética de me desculpar – por isso é que eu nunca mais fui aquele parque. Mas venho a este salão muitas vezes para treinar a minha escrita, e sempre que venho tenho a esperança de te ver para ir falar contigo.


 - Ainda bem! Tinha medo que me tivesses achado aborrecido naquela tarde. Eu não costumo ser assim tão lamechas, normalmente sou muito divertido!
Eu agora tenho que sair, mas fazemos assim: dás-me o teu número e eu ligo-te para um dia destes combinar alguma coisa, pode ser?
- Sim, claro que sim, claro que sim! – Disse eu. Não conseguia esconder a felicidade na minha voz.



- Então até a uma próxima!
- Fico á espera, ate á próxima! - Ele inclinou-se e deu-me um beijo na cara.

Fiquei totalmente encantada a vê-lo afastar-se. 



Nos dias que se seguiram Eduardo ligou-me sempre! Ia-me buscar a casa e dávamos pequenas voltas pela cidade: ia-mos ao parque, á praia, visitávamos o teatro, outras vezes ficávamos apenas a conversar por telefone. 
Cada dia que passava, ficávamos mais próximos. 




Um dia ele convida-me para jantar. Era primeira vez que íamos jantar juntos por isso tinha que ser especial. Fui aos saldos e comprei um lindo vestido com uns sapatos a condizer e depois fui mudar o penteado!
Meu deus, estava tão nervosa. Será que era hoje que ele se ia declarar?
A verdade é que nós nunca passamos de amigos. Divertíamo-nos imenso juntos mas a nossa relação não evoluía. 
Tomei um duche, vesti-me e preparei-me para o grande encontro!


Às 20h em ponto ela estava á minha espera na porta de minha casa, todo lindo de fatinho.
- Estás tão linda Catarina!
- Obrigada! – disse eu, envergonhada.


Fomos a uma linda Quinta que ficava do outro lado da cidade!


Cada um fez o seu pedido e viemos para a esplanada. Durante o jantar conversamos sobre coisas banais e depois fomos dar um passeio pela vila. Estava uma noite linda!







Chegamos a minha casa e paramos á porta.
- Adorei esta noite Catarina! – disse ele com o rosto muito próximo do meu.
- Eu também, foi fantástica!











Não me perguntem porque, mas de repente enchi-me de coragem, peguei na mão dele e….

Foi o melhor beijo da minha vida! Nunca tinhas sentido nada assim!







E ali ficamos nós, presos naquele beijo com o céu e as estrelas como pano de fundo!











Sem dizer uma palavra, entramos em casa e fomos para o meu quarto. Aquele momento era perfeito! Nada tinha que ser dito.




Acordei de manha cedo porque tinha que ir trabalhar. Tentei sair sem fazer barulho para o Eduardo não acordar. Mas quando voltei ao quarto, já pronta para ir trabalhar, lá estava ele, acordado e com um sorriso apaixonado na cara. Despedi-mo-nos com um longo beijo e um abraço e fui trabalhar.

O dia correu-me mesmo bem! Acho que nunca estive tão feliz na minha vida!
Estava já no nível 5 da minha carreira, a minha casa estava a começar a ficar parecida com o que eu idealizei e até já tinha um pequeno carro!
E o mais importante de tudo: Tinha encontrado o amor verdadeiro!
Sim, a minha vida estava perfeita!
No dia seguinte era a minha folga. Esperava aproveitar o dia com o Eduardo por isso convidei-o para me vir visitar.
Quando o vejo á minha porta corro para o abraçar, mas ele estava com uma cara muito estranha. Alguma coisa se passava!


- Catarina, precisamos de falar. – quando alguém diz isto, nunca é boa coisa.
- O que se passa meu amor, está tudo bem contigo? – a minha preocupação crescia ao ver a expressão na cara dele.
- Eu nem sei como dizer isto….
- Diz de uma vez, estás a deixar-me preocupada!






- Bem, tu sabes que o meu pai….Ontem quando cheguei a casa….Vou casar com a Holly Alto! – disse ele de uma vez só.
- O quê? Tu vais o quê? – disse eu completamente chocada!
- O meu pai estava-me sempre a falar em como a família Alto era rica e em como era bom unir as duas famílias.
- E só te lembras de me dizer isso agora? Porque? – eu nem queria acreditar no que ele me estava a dizer.
- Eu só não te disse antes porque tinha a esperança que o meu pai mudasse de ideias quando eu lhe contasse que te amava!
- E deixa-me adivinhar? Tu ontem contaste-lhe que te apaixonas-te por uma mulher que mal tem onde cair morta.
- Sabes que isso não tem nenhuma importância para mim. – desculpou-se ele.






- Mas, pelos vistos, para o teu pai tem! E tu és um autêntico pau mandado do papá que não sabe tomar a próprias decisões.
- Tenta compreender Catarina, ele é o meu pai.
- Não, Eduardo! Não consigo compreender. Se dizes que me amas porque é que vais casar com uma mulher que mal conheces só porque o teu pai quer? Ah, já sei: ela é rica e eu sou pobre! E tu não queres deixar de viver na tua vidinha de total luxo! É isso não é?
- Sabes perfeitamente que não! Eu….




- Tu nada! – cortei eu. Não queria ouvir mais desculpas. – Saí da minha casa, esquece que eu existo, nunca mais te quero ver á frente!

O meu coração ficou em 100000 pedacinhos enquanto o vi a afastar-se. A minha vida estava tão perfeita e “num piscar de olhos” tudo mudou.








Nos dias que se seguiram trabalhei o quanto mais podia para não me lembrar no desgosto que sofri! Uma manha, quando acordei, senti um mal-estar. Doía-me imenso as costas e estava muito enjoada.
Será que comi alguma coisa estragada?
Passei o dia todo a vomitar e as dores de costas eram cada vez mais fortes.

Resolvi ir ao hospital para ver o que se passava. Nem queria acreditar quando o médico me disse que eu estava grávida. Como é que era possível? Saí do hospital em choque…
Não é possível estar grávida, não é possível! Não agora! Não é possível! – Não conseguia parar de chorar.
Decidi dar uma volta pela vila…quando dei por mim estava em frente á casa do Eduardo. Eu tinha que lhe contar a notícia que acabei de receber. Quando ganhei coragem para entrar vi que estava lá muita gente. Estavam todos felizes e a aplaudir! 

Olhei para a ponte e vi o motivo de tanta felicidade: em cima estava o Eduardo e a Holly a trocar as alianças. No fim de fazerem os seus votos beijaram-se e toda a gente aplaudia.
                                                                                                  
Sem conseguir conter as lágrimas fui para casa a chorar. Ele não me podia ter feito isto, não podia!


Como entrei em licença de maternidade passei a estar mais tempo em casa. Precisava de descansar, a minha barriga estava a começar a crescer e eu já não podia fazer tantos esforços.


Um dia estava eu descansar no sofá quando a minha campainha toca. Quando abri a porta deparo-me com um senhor idoso e muito bem vestido. Disse-me que era o pai do Eduardo. Eu convidei-o para entrar.
- Desculpe aparecer assim em sua...- olhou em volta e respondeu com ironia - …casa.
Eu sei quem você é, e não pude deixar de reparar que no dia do casamento do meu filho você estava lá a observar.
- Peço desculpa. Não sabia que era o dia do casamento. Fui lá porque precisava de falar com o Eduardo. Precisava de lhe contar uma coisa.
Sem pensar pus a minha mão na barriga. O avô do meu filho olhou para a minha barriga, arregalou os olhos e disse:
- Estou a ver….O meu filho engravidou-a. Ouça bem o que lhe vou dizer: Se a senhora tiver essa criança eu vou destruir tudo o que você ama! Incluindo isso! – apontou para a minha barriga.
Eu não vou deixar que destrua a minha família por um erro!
O meu filho nunca pode saber da existência dessa criança! Se não quer abortar, dê-a para a adoção. Deixe-a ter um futuro melhor do que aquele que você lhe pode dar.
- Saia da minha casa já! – Foi a única coisa que consegui dizer no meio de tantas lágrimas.
- Se um dia eu descubro que o meu filho sabe da existência disso, estejam vocês onde estiverem, eu mato-vos. – dito isto, virou as costas e foi embora.




Eu acreditei no que ele disse. Depois do que ouvi hoje não duvido que ele seja capaz de fazer tal crueldade…
Meu Deus, tenho tanto medo! E agora, o que é que eu faço?